segunda-feira, 23 de junho de 2014

A morte é certa! É a maior certeza que temos na vida . O mistério é o que se dará entre o nascimento e o último momento de seu suspiro. O sol batendo na janela, o som do antigo relógio penetrando em minha mente, era como se juntos dissessem a mim,  "vamos, tem algumas horas a menos em sua vida". Levanto cálido, olho novamente pela janela e penso, quantos poderiam ter recebido um recado como esse?! Você recebeu?! Como reagiria a isso?! Com as indagações agora sufocadas, baixei a cabeça, as duas mãos no vidro escorriam suavemente, como se meu subconsciente tentasse fechar uma persiana inexistente e afastasse de mim tal afirmativa. Tentativa inútil. Já estava fadado ao início do fim. Eles vieram me avisar. 
Teria eu pouco ou muito tempo? Ora, quem recebe um recado desses, é bem provável que algo esteja por vir. Os rituais: preparei meu café como habitualmente, mas percebi que tinha pressionado de modo diferente o grão que acabará de moer. Achei estranho, não costumava a me dar certos caprichos. Preocupado com tal fato, tomei rapidamente o café. Nada comi, para não me atrasar, coloquei o terno de costume. Sem perceber ajustei melhor a gola e a gravata. Desci até o carro, girei a chave. A primeira tentativa falhou, a segunda custou a ligar. Olhei para o céu, logo chegarei lá. 
Poucas quadras depois um carro desgovernado passou por mim, tão próximo que se não afastasse-me poderia ter batido a lateral do carro, o qual acabara de pagar a metade de seu financiamento. Alguns instantes depois, o mesmo carro desgovernado bateu em outro à minha frente. O impacto foi tão forte que um dos passageiros do veículo atingido ficou com a metade do corpo para fora. Seu estado era lastimável, certamente seu tempo chegara. Instintivamente encostei meu carro e por acaso, mas, lembrem-se, nada é por acaso. Abri a porta ligeiro; no carro que causara o acidente, lá estava o homem ensangüentado, uma mulher ainda viva, consciente. Para meu espanto, estava grávida. Agora eu pude entender a pressa e negligência do homem em questão. Desesperadamente tentei tirar a mulher levemente ferida do carro. O cheiro de gasolina indicava que o carro poderia vir a explodir, pensei. Logo após ter retirado a jovem mulher, tentei resgatar o marido, com ajuda de algumas pessoas que encontravam-se no ponto de ônibus, conseguimos resgatar os dois. Faltava agora retirar as vítimas do outro carro, que com a força do impacto estava ah uns 10 metros de distância. Corri rapidamente em direção a eles, escutei um relógio, ao fundo... Engrenagem perfeita. Tão precisa quanto a um relógio suíço. Voltei meu rosto para o carro, as nuvens abriram-se... Um raio de sol ofuscou-me. Escutei uma freada repentina... 
O relógio silenciara, um grito, era o de uma criança... Nada mais vi. Nada mais senti do que uma grande dor instantânea, que logo passou, eu não me movia, não conseguia respirar. Logo fez-se o breu, um silêncio agradável que há tempos buscava... E agora, compreendera, que ambos nos buscávamos. O fim. 
Kans De Lucca

terça-feira, 10 de junho de 2014

Uma dia mal escrito

A morte é certa! É a maior certeza que temos na vida . O mistério é o que se dará entre o nascimento e o último momento de seu suspiro. O sol batendo na janela, o som do antigo relógio penetrando em minha mente, era como se juntos dissessem a mim,  "vamos, tem algumas horas a menos de sua vida". Levanto cálido, olho novamente pela janela e penso, quantos receberam esse recado?! Você recebeu esse recado? Como reagiria a isso? Com as indagações agora sufocadas, baixei a cabeça, as duas mãos no vidro escorriam suavemente, como se meu subconsciente tentasse fechar uma persiana inexistente e afastasse de mim tal afirmativa. Tentativa inútil. Já estava fadado ao início do fim. Eles vieram me avisar.
Teria eu pouco ou muito tempo? Ora, quem recebe um recado desses, é bem provável que algo esteja por vir. Os rituais. Preparei meu café como habitualmente. Mas percebi que tinha pressionado de modo diferente o grão que acabará de moer. Achei estranho, não costumava a me dar certos caprichos. Preocupado com tal fato, tomei rapidamente o café. Nada comi. Para na me atrasar, coloquei o terno de costume. Sem perceber ajustei melhor a gola e a gravata. Desci até o carro, girei a chave. A primeira tentativa falhou, a segunda custou a ligar. Olhei para o céu, logo chegarei lá.
Poucas quadras depois um carro desgovernado passou por mim, tão próximo que se não afastasse-me poderia ter batido a lateral do carro, o qual acabara de pagar a metade de seu financiamento. Alguns instantes depois, o mesmo carro desgovernado bateu em outro à minha frente. O impacto dói tão forte que um dos passageiros do veículo atingido ficou com a metade do corpo para fora. Seu estado era lamentável, certamente seu tempo chegara. Instintivamente encostei meu carro e por acaso, mas, lembrem-se, nada é por acaso. Abri a porta ligeiro, no carro que causara o acidente, lá estava o homem ensangüentado, uma mulher ainda viva, consciente. Para meu espanto, estava grávida. Agora eu pude entender a pressa e negligência do homem em questão. Desesperadamente tentei tirar a mulher levemente ferida do carro. O cheiro de gasolina indicava que o carro poderia vir a explodir, pensei. Logo após ter retirado a jovem mulher, tentei resgatar o marido, com ajuda de algumas pessoas que encontravam-se no ponto de ônibus, conseguimos resgatar os dois. Faltava agora retirar as vítimas do outro carro, que com a força do impacto estava ah uns 10 metros de distância. Corri rapidamente em direção a eles, escutei um relógio, ao fundo... Engrenagem perfeita. Tão precisa sua to um relógio suíço. Voltei meu rosto para o carro, as nuvens abriram-se... Um raio de sol ofuscou-me. Escutei uma freada repentina...
O relógio silenciara, um grito, era o de uma criança... Nada mais vi. Nada mais senti do que uma grande dor instantânea, que logo passou, eu não me movia, não conseguia respirar. Logo fez-se o breu, um silêncio agradável que há tempos buscava... E agora, compreendera, que ambos nos buscávamos. O fim.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Passa o tempo

Tudo que passa pelo céu
Não é só felicidade meu amor
Veja em tuas mãos
A liberdade que tu tens

Tudo que passa pela rua
Não parece mais parar
E vejo nos teus olhos
A incerteza de estar

Tudo passa por nós
O mundo é informal
E foge dentre os dedos
A certeza de se amar
Alguém pro resto dos dias

Tudo que passa ao léu
Não parece mais tão perto
Veja o tempo em nós
Estagnando nossas vidas

Tudo que passa pelos sonhos
Não parece mais tão belo
Vejo no seu rosto
A ausência de um sorriso

Tudo passa por nós
O casual é banal
E todos seguem normal
A vida não era assim
Quando tão perto de ti